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__Quarta, 28 de dezembro de 2005:Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi.
Acho um pouco brega começar um post com Roberto Carlos, mas essa frase é muito o que eu estou sentindo agora. Essa vontade de fazer tudo com intensidade, e viver somente aquilo que realmente valha a pena. E falo valer a pena no sentido de me marcar de alguma forma. Carol Teixeira pode falar por mim agora:
"Nietzche disse certa vez que os únicos valores que permanecem na sociedade são aqueles que são marcados a ferro e fogo. Ele disse isso num contexto histórico e mais abrangente, mas vou me permitir usar isso para uma outra reflexão. Nunca me interessaram as coisas que não são capazes de me marcar a ferro e fogo. Não me interessam coisas que apenas arranham minha superfície. Quero flechas na carne, quero aquilo que mexe nas minhas entranhas, que me vira do avesso, que me leva a lugares dentro de mim aos quais eu nunca fui antes. Quero gritar, quero chorar. Quero sentir medo ou vergonha do que aquilo me provoca, quero algo que realmente me provoque. Esse é o papel da arte. E se você sai ileso dela é como se ela não tivesse existido."
Esse é o começo do primeiro texto do livro dela, "De abismos e vertigens" (Editora Sulina, 2004), e foi muito bom lê-lo logo agora. Estou cansado de tudo meio a meio. Cansado de coisas e pessoas que me cansam.
Não quero morrer ileso, porque seria como se eu não tivesse vivido.
:postado pelo psydor as 02:22
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__Sexta, 23 de dezembro de 2005:Entre por essa porta agora, e diga que me adora. Você tem meia hora pra mudar a minha vida. Vem, vambora, que o que você demora, é o que tempo leva.
Ainda tem o seu perfume pela casa, ainda tem você na sala, e o meu coração dispara quando tem o seu cheiro dentro de um livro, dentro da noite veloz.
:postado pelo psydor as 15:47
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__08 de dezembro de 2005:Novas fixações.
As coisas podem não mudar externamente. Mas, no mínimo, internamente já está mudando.
Ontem eu me fixava de um modo. Hoje, e de hoje para o futuro, me fixo de outro.
:postado pelo psydor as 12:34
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__07 de Dezembro de 2005:É tudo tão estranho. Estou me tornando cada vez mais inconstante, e isso me deixa angustiado. E a angústia é duas vezes maior quando se tem uma outra pessoa inconstante ao lado.
Não sei se eu não sei o que quero, ou se tenho medo de mostrar que sei, por não ter mais esperanças.
Adoraria poder dizer com convicção que quero tudo de volta. Mas não sei se quero. E se sei, tenho medo de dizer, por saber que o outro lado não quer.
Estou há 42 horas trancado dentro do meu apartamento, sozinho. Evitando a internet. Apenas lendo, arrumando as minhas coisas, ouvindo música. E aí eu percebo que posso viver sozinho, e que isso é muito bom. Mas...por quanto tempo?
A verdade é que eu não sei de nada. Só queria não sofrer, e isso é impossível.
Pirandello diz tudo. Tudo são fixações. Hoje eu me fixo de um modo, e amanhã, de outro.
:postado pelo psydor as 12:10
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